domingo, 23 de junho de 2013

Conhecer

No fundo de cada um, até que ponto se conhecem a si mesmos? Até que ponto conhecem quem vos rodeia? Até que ponto chega o que verdadeiramente conhecemos? Ao fim de tanto tempo dá se conta que quem mais perto esteve de cada um afinal nunca conhecei o que criou, bem pelo contrário, não conhece nem um pouco, nada de nada.
Até onde se conhece alguém? Os seus gostos, as suas ambições, os seus objectivos na vida, os seus segredos, as suas manias, os seus defeitos, as suas qualidades, os seus erros, os seus acertos, os seus pontos de vista, a sua maneira de pensar e até de agir, as suas palavras, os seus gestos, a sua bondade, os seus ódios, as suas carências, os seus desgostos, as suas tristezas, as suas alegrias, os seus verdadeiros sentimentos. Até que ponto se compreende a outra pessoa? Até onde sabemos que nos conhecem?
Sempre o soube mas tive mais que certeza. Não sabes do que realmente gosto. Não conheces a pessoa que eu sou. Não tens orgulho em mim. Desconheces por completo o que sinto. Não me apoias em nada do que quero fazer. Não me incentivas a nada. Não conheces as minhas lágrimas. Não me aconchegas nos maus momentos até porque também os desconheces. Demonstras não puder contar contigo para tudo mesmo que eu esteja errada. Não sabes ouvir-me. Não tentas compreender-me. Não demonstras confiança em mim. Não consegues dar o que deverias mas não é por isso que em momento alguma iria ou irei sentir ódio. No fim a única conclusão que tiro é que não me conheces nem nunca me conheceste verdadeiramente. A criança de ontem, cresceu, e hoje é uma mulher, crescimento esse em que tu te perdes-te pelo caminho ou talvez nunca começas-te essa caminhada. O desfecho é e será sempre o mesmo, não me conheces e no futuro isso só me irá afastar até que se irá quebrar o contacto.
Sendo assim até onde o ser humano é reconhecível e se dá a conhecer? Será que esta criatura tão complexa nunca se deixará descobrir até ao mais desconhecido pormenor? Até onde é o visível e o invisível? O verdadeiro e o falso?...

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